Segunda-feira, Setembro 28, 2009

Estar no centro de uma claridade rigorosa a interrogar-me se será noite ainda. Que não é esta a palavra, que amanhã deveria ter outra acentuação e não passar como um barco vertido, emparedado numa diástole inacabada. Estar no centro da luz interminável como uma clara de ovo. Demorar-me a saber o que é interior.
Barulhos de fermentação.
A cabeça como uma gaiola agitada.
O chão carregado de zumbidos
A cidade ruidosa de calçada, escorregadia à chuva por encetar
A cabeça como um porto vazio.
À espera.

“As paisagens ainda hão-de vir a ser
escrupulosamente electrocutadas vivas” (meu CESARINY)

Sábado, Junho 20, 2009

São os dias homónimos
Trinca o vidro do copo
enquanto
a água não assoma à boca, assoma à febre. Perdida na música da rádio, como que encantada. Sem beijos ou picadas dos fusos-solstícios. Cantada. O batimento do vidro e o assomar-se o dia trágico, despido de noite e das primeiras palavras que desembarcam apenas nos sonhos. Perene. Significa para sempre.

Sexta-feira, Fevereiro 20, 2009

"(...)
peçam-lhe que venha tão
depressa, digam-lhe que
não durmo e que estarei
no telhado entristecida a
desbotar ao sol
incomodando os pássaros
cada vez menos

porque quando foi
fiquei vazia da
alma aos pés, parada
sob as chuvas como
um ralo
(...)"

VALTER HUGO MÃE

Segunda-feira, Janeiro 19, 2009

"The importance of being..."

Quinta-feira, Janeiro 15, 2009

A casa deixou de existir atrás da porta. Na mesinha brilham, rebrilham os papéis abandonados dos chocolates de Natal. Os silêncios por abandonar estão aqui, com os chocolates e o escuro, na boca.
Queria dizer-te: o Thames existe ao largo, a sua diegese é lenta e ainda se ouve.
Quero dizer-te: o Thames vai existir sempre, com o seu corpo sobre o nosso, subindo-nos os silêncios.
A casa deixou de existir. Tenho a tua boca onde cabe o meu escuro. Tenho a tua maré a pontuar-me. Os papéis dos chocolates abandonados, que brilham, rebrilham sobre a mesa, são o Thames correndo nos meus olhos. Digo: já te disse? Amo-te.

Quarta-feira, Novembro 26, 2008

Caíram arcos-íris em Lisboa



Mas deviam chamar-se colírios.
Como quezílias devia ser nome de flores e nunca arder durante o sono.

Domingo, Novembro 23, 2008

"O BATER DO TEU CORAÇÃO FAZ-ME MEDO..."

(MARGUERITE DURAS)

This page is powered by Blogger. Isn't yours?